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  • Foto do escritorLuiz Andriguetto

Educação e empoderamento através dos livros


Duas crianças com livro infantil aberto
Imagem: Pexels.

Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade quando sofreu uma violência sexual e foi assassinada em Vitória, no Espírito Santo, em 1973. Um crime que chocou o país. Em sua memória e na luta contra o abuso de menores, foi criado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado todo 18 de maio. A data foi instituída oficialmente no país através da lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000.


De acordo com dados da Secretaria de Direitos Humanos, é assustador o número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no país. Por isso, o intuito é ajudar a combater este mal que destrói a vida de milhares de jovens todos os anos. Na data, costumam ser realizadas diversas atividades nas escolas e demais espaços sociais como, por exemplo, palestras e oficinas temáticas sobre a prevenção contra a violência sexual.


Órgãos públicos e não governamentais promovem ações, como distribuição de panfletos informativos, realização de passeatas e palestras, para alertar a sociedade e mobilizar as pessoas a combater esse problema. 


Abuso x exploração


Embora abuso e exploração sexual sejam crimes de violência sexual combatidos nesta data, eles possuem significados diferentes. O abuso acontece quando um adulto pratica ato libidinoso com uma criança ou adolescente, o que normalmente acontece por parentes ou pessoas próximas à família. A exploração consiste em usar a criança ou o adolescente como meio de faturar dinheiro, oferecendo o menor de 18 anos como “ferramenta” de satisfação sexual.


No Brasil, há um serviço para registro de denúncias de jovens que se sintam ameaçados ou que sofreram qualquer tipo de abuso ou exploração sexual, o Disque 100. O serviço, disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República é gratuito. Vale destacar que as denúncias são anônimas e o serviço está no ar 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), outra forma de comunicar a violência é entrar em contato com o Conselho Tutelar da sua cidade.


A biblioterapia e o letramento literário podem desempenhar um papel significativo no apoio às vítimas de abuso e exploração sexual infantil, oferecendo recursos terapêuticos que promovem a expressão emocional, a compreensão do trauma e o processo de cura. Aqui estão algumas maneiras pelas quais essas práticas podem ajudar:


  • Validação e Identificação: Para as vítimas de abuso sexual, pode ser difícil expressar seus sentimentos e experiências. Através da leitura de livros que apresentam personagens que passaram por situações semelhantes, as crianças podem sentir-se validadas e compreendidas, percebendo que não estão sozinhas em sua dor.


  • Fortalecimento da Autoestima: O trauma do abuso pode abalar a autoestima e a confiança das crianças. A leitura de histórias que apresentam personagens que superam adversidades pode ajudar as vítimas a reconstruírem sua autoimagem e a perceberem sua própria força interior.


  • Processamento Emocional: A leitura de livros pode proporcionar uma maneira segura e terapêutica para as crianças explorarem e expressarem suas emoções relacionadas ao abuso. Personagens fictícios podem servir como modelos para a expressão emocional e o enfrentamento do trauma.


  • Educação e Empoderamento: A leitura de livros informativos sobre o tema do abuso sexual infantil pode ajudar as crianças a entenderem o que aconteceu com elas, a identificar comportamentos inadequados e a buscar ajuda.


Estas são algumas obras literárias que podem ser utilizadas em biblioterapia e letramento literário que podem ser úteis no tratamento, para ajudar crianças vítimas de abuso e exploração sexual infantil:


  1. "Não me toca, seu boboca" - Andrea Viviana Taubman



De maneira lúdica, o livro “Não me toca, seu boboca!” Mostra a todas as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Uma forma de oferecer segurança e informação às crianças sem perder o encantamento próprio da literatura. 


  1. "O Corpo é Meu, Ninguém Põe a Mão " - Denise Natale e Tatiane Moreira Lima



A história da gata é comum a muitas crianças e poucas conseguem denunciar essa situação. É na escola, para os professores, que Estrela revela o que está acontecendo. A presença da escola e o acolhimento da família desempenham papel importante e ajudam a gata a descobrir que no seu corpo ninguém tem o direito de pôr a mão. O vilão é denunciado e preso. A questão da violência sexual contra crianças e adolescentes é tratada com delicadeza e sensibilidade.


  1. "A Árvore Generosa" - Shel Silverstein



Este livro apresenta uma história sobre generosidade, amor e doação. Pode ser usado como uma metáfora para discutir questões de confiança, relacionamentos e respeito mútuo com crianças que passaram por experiências de abuso.


  1. "Pedro e a Lua" - Odilon Moraes



 Nesta obra, Pedro, um menino que mora em um orfanato, sonha em ter uma família e um lar. A história aborda temas de vulnerabilidade, esperança e o desejo de pertencimento, oferecendo uma mensagem de apoio para crianças que se sentem perdidas ou desamparadas após o abuso.


  1. "A Mão Boa e a Mão Boba" - Renata Emrich



Aborda, com uma linguagem simples e educativa, as diferenças entre uma toques amigos e toques abusivos. Escrito por Renata Emrich e ilustrado por Erica Ianni, o livro visa trabalhar com crianças, pais e escolas, a prevenção do abuso sexual contra crianças e adolescentes.


  1. " PIPO E FIFI" - Arcari, Caroline, Santos, Isabela



Pipo e Fifi, um premiado livro infantil, é uma ferramenta de proteção que explica às crianças conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas. De forma simples e descomplicada, ensina a diferenciar toques de amor de toques abusivos, apontando caminhos para o diálogo e a proteção.


  1. " SEM MAIS SEGREDO: JUJU, UMA MENINA MUITO CORAJOSA" - Ana Claudia Bortolozzi Maia, Darcia Amaro Avila, Juliana Lapa Rizza, Raquel Baptista



Quem nunca guardou um segredo? O que a professora de Juju costuma dizer aos seus alunos e alunas é que existem segredos bons e segredos ruins e essa história pode ajudar as crianças a reconhecerem situações de violência contra a infância, bem como proceder quando esse triste fato acontece.


  1.  "O Segredo da Tartanina" - Cristina Fukumori



O livro traz, de forma lúdica, a história de da tartaruga Tartanina, que foi vítima de abuso sexual e tem medo de contar para alguém a situação pela qual passou. O Segredo da Tartanina explica, de forma didática, como identificar casos de abuso sexual e como agir nessas situações.


  1. "O Pequeno Príncipe" - Antoine de Saint-Exupéry



Este clássico da literatura infantil apresenta uma narrativa inspiradora sobre amizade, coragem e autodescoberta, oferecendo mensagens de esperança e resiliência para crianças que estão enfrentando desafios em suas vidas.


  1. "Cinderela e Outras Histórias: Contos de Fadas Clássicos" - Vários Autores



Os contos de fadas clássicos oferecem uma oportunidade para as crianças explorarem questões emocionais complexas por meio de histórias simbólicas e metafóricas. Eles podem ajudar as vítimas de abuso a processarem suas emoções de uma maneira segura e terapêutica.


Essas obras literárias podem ser usadas de diversas maneiras durante o processo terapêutico, como ponto de partida para discussões, atividades de expressão criativa e reflexões pessoais. É importante adaptar a seleção dos livros de acordo com a faixa etária, o nível de compreensão e as necessidades individuais das crianças, garantindo que elas se sintam confortáveis e seguras durante o processo de leitura e discussão. Além disso, é fundamental que as vítimas de abuso recebam apoio profissional adequado, como terapia especializada, para ajudá-las a lidar com o trauma de forma segura e eficaz.


A biblioterapia e o letramento literário podem desempenhar papéis valiosos no auxílio do tratamento e na prevenção do abuso e da exploração sexual infantil, oferecendo recursos terapêuticos e educacionais que promovem a conscientização, o empoderamento e o apoio às vítimas, assim como capacitam a comunidade a agir contra essa forma de violência.



Créditos das imagens: Estante Virtual.


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